
A necessidade de afirmação de vários grupos e a natureza livre dos mitos, levam ao aparecimento de diversas teologias. Os mitos religiosos estão inseridos em um contexto maior, e analisá-los de forma independente, ou simplesmente como fatos históricos verídicos, leva a uma má interpretação. Os mitos aí estão dispostos para serem exemplos, para ser fonte de inspiração, para trazer ensinamentos.
Um mito bastante conhecido do cristianismo é o da Torre de Babel. Neste mito a arrogância do homem o leva a querer ser como Deus e tentar construir uma torre que chegue ao céu. Yaveh não contente, causa uma confusão mudando o idioma e os homens se dispersam pela terra em tribos de idioma comum. Yaveh, sendo um Deus que tudo sabe, saberia que eles nunca chegariam ao encontro dEle. Desta maneira, então será que o propósito era que soubéssemos se a torre existiu, ou nos dar uma lição de que não devemos querer ser como Ele, pois isso só trás a confusão, ou ainda simplesmente explicar a existência de várias línguas diferentes. Vimos aqui que para o mesmo mito, demos três significados, isto acontece em coisas mais complexas da bíblia cristã e faz aparecer diversas teologias para o mesmo assunto.
Para os cristãos ou interessados deixemos um questionamento para reflexão. Em Pentecostes (livro de Atos dos Apóstolos – na bíblia cristã) O Espírito Santo age e cheios do espírito, homens de Deus, falam em línguas que não a sua e se fazem entender pelos povos em suas línguas nativas. Em Babel (livro de Gênesis) Yaveh faz mudar a linguagem do povo “ímpio” (querendo dizer: em erro). Houve aí um pentecostes? O Espírito de Deus encheu aquelas pessoas?
Com o avanço da humanidade muitas questões outrora respondidas pelos mitos, foram respondidas pela ciência, aparecendo aí um pensamento que hoje denominamos com ceticismo. Este pensamento leva em consideração que os mitos são inverdades, enganação. Um Deus onisciente, para eles, não combina com o Deus que cria a humanidade e depois se arrepende de tê-la criado e a destrói. Porém entender o mito do dilúvio requer entender outros aspectos da teologia cristã, como o arbítrio, a justiça.
Então os céticos encaram o mito do dilúvio como um fato histórico e buscam negá-lo. Uma das suas afirmações é que se a arca mede 137,16m de comprimento, 22,86m de largura e 13,76m de altura, ela teria 43.144,17m2 de volume o que seria insuficiente para toda espécie de animal, Noé e sua família, comida, lixo acumulado (já que só tinha uma porta e uma janelinha de 42 centímetros, que ficaram 40 dias/noites fechados. Então todos morreriam asfixiados.
Limitar essa narrativa a esse fato é no mínimo injusto. O que a narrativa quer passar é que a obediência a Yaveh, mesmo em meio a todos pensando que estás louco, levará a uma vida que ultrapassará a morte.
Para os céticos não poderia haver tanta água para as chuvas, mas a bíblia explica que houve divisão entre águas e águas e no meio delas o firmamento. Onde está essa água sobre o firmamento hoje. A ciência explica hoje que além do ozônio um filtro excelente para os raios solares é a água. Antes do dilúvio, o clima da terra era suave, homogêneo e a qualidade do ar excelente, devido à barreira da água. Os dinossauros eram gigantes, mas precisavam de um pulmão do tamanho do de um cavalo. Um réptil como a lagartixa cresce até morrer, se você corta-lhe o rabo ele cresce, agora imaginem uma lagartixa vivendo trinta vezes mais, era isso que ocorria com o réptil. A bíblia relata que após o dilúvio o tempo de vida na terra diminuiu drasticamente e a ciência explica que os raios solares mais a atmosfera atual cheios de oxidante é que levam ao envelhecimento rápido das espécies.
Mito e ciência podem andar juntos, coexistirem. O que leva a crer que religião e ciência também podem coexistir sem estarem se negando mutuamente.
A mitologia religiosa atribui a um deus/deuses a criação do homem, mundo e animais, através de um ato transcendente que exige fé religiosa para aceitar. Mas existe uma teoria que tem sua base no big bang, a grande explosão que gerou a todos seres de uma única célula. É a teoria da evolução que, segundo Darwin, apregoa que o homem vem evoluindo de várias espécies de homo ao longo do tempo e vindo anteriormente de uma espécie de primata. Os céticos utilizam essa teoria por achar plausível e não necessitar de uma “mágica” para existirem. Porém, essa teoria nunca ficou comprovada e um dos pontos que levam a isso é explicar que as espécies evoluem para sobrevivência e após a evolução, a espécie anterior se extingue. Como podem coexistir homem e macaco a tantos milhares de anos juntos. A teoria também é uma tentativa de explicação que é depois comprovada ou não, o mito ou é simplesmente para explicar e ser aceito com fé ou para ensinamentos religiosos.